Crónicas de um Gamer | Devemos gostar sempre do mesmo? – As Respostas Semi Sarcasticas de uma Aya Acabada de Vir da Terra das Batatas

Olá pessoas! Adivinhem o que eu andei a fazer? Sim! A jogar Bloodborne! Viva o Ano Novo, batatas, queijo azul e viagens de avião.

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Já fui muito feliz aqui.

E voltei para responder de novo ao meu queridissímo Bruno, porque eu sou uma pessoa super fofinha e gosto muito de responder a estas coisa e exprimir opiniões diferentes daquilo que aparece por aí. Porque eu sou como um shiny Pokémon.

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Algures por aqui está a Aya.

Por exemplo, com o primeiro Crónicas de um Gamer, reparei um pouco isso quando falei da criação de personagens, e muito ao leve, de uma maneira indirecta, dizer que não gosto dos jogos da Bethesda. Sim, agora é oficial, muito dificilmente devo contar mais um Natal com estas afirmações.

A pergunta fica no ar. Mas quais? Os jogos da Bethesda são bastantes e dos mais variados. Há basicamente jogos para todos os gostos, com uma lista de jogos de 1986 até à actualidade.
Dos menos conhecidos destaco o Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth porque eu e o horror Lovecraftiano são aquela cena e não podemos esquecer que o The Evil Within é um jogo da Bethesda.

O problema em dizer que não se gosta de jogos de uma produtor ou publisher é que soa a conversa de quem chegou à loja viu os FIFAs e achou que gaming era só aquilo. Mas neste caso olhou para os Fallouts e os Elder Scrolls e achou que Bethesda é só aquilo.

O meu problema com isto é a generalização. Eu posso dizer que não gosto das práticas da Konami, mas não posso dizer que não gosto dos jogos deles porque não os joguei todos.
Eu não gosto de JRPGs, no geral, mas não gosto da sua maioria. A implicação é que eu não gosto da maioria dos que joguei, mas não posso dizer que os odeio a todos sem os jogar. A minha falta de curiosidade ou de vontade de o os jogar não quer dizer que não goste deles (o que fica provado cada vez que me vem parar um bom JRPG às mãos), simplesmente não sinto afinidade que outras pessoas sentem por eles.

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Lá porque é Japonês não quer dizer que não seja um excelente jogo.

Nós usamos expressões como “eu não gosto” ou “eu odeio” de animo demasiado leve e esquecemo-nos que algumas dessas coisas têm valor, mesmo que não sejam algo do nosso jogo.
O meu problema com JRPGs (por exemplo) é que 1. não são RPGs e não venham com coisas e 2. não tem valor nenhum. Se quero algo para ser bonito só porque sim vou ao Museu de Arte Antiga de Lisboa e vejo coisas bonitas, mas mesmo essas tinham um objectivo muito claro. Seja esta passar uma mensagem, a celebração de figuras de estado ou importantes ou a expressão do próximo atrista.

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Pormenor da pintura O Enterro do Conde de Orgaz do pintor grego Doménikos Theotokópoulos mais conhecido como El Greco.

Um jogo bonito não pode carregar este tipo de impacto porque é apenas bonito. Um jogo é visual, mas precisa de uma história para se suportar. Ser bonito pode atrair muita gente mas é uma táctica de venda.

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Eu sei que pode soar um pouco estranho, devem estar bastante incrédulos e dizerem “mas tu devias gostar de Skyrim, pelo ambiente, sonoplastia e grafismo”, isto no papel claro. Verdade seja dita, nunca senti aquele click e passar horas a fio jogando este tipo de jogos, e mais conheço gente que apenas joga Skyrim, afirmando que é sempre uma experiência nova e gratificante.

A verdade é que o Skyrim é um jogo muito fácil de se jogar porque é um RPG fácil, bonito e com uma boa banda sonora. É fácil de se gostar de um jogo assim, é fácil porque é algo geral. É um jogo de entrada, tanto em vídeo jogos como em RPGs como em Elder Scrolls.
Não é nenhum Witcher 3 que mesmo depois de 50 horas continua a atirar-me ao chão porque não tenho dinheiro suficiente para comprar uma espada de prata melhorzinha, de forma estupidamente fiel aos livros.

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JUST LET ME SAVE SOME MONEY, GAME.

O Skyrim é tão fácil de gostar como outros jogos simplistas com menos fama de o mesmo, quando se joga um Oblivion ou o Morrowind sente-se a diferente de complexidade. Podem não ser tão bonitos como Skryim mas são jogos mais complicados e se alguma coisa têm a lore a seu favor.

Não apreciar um jogo venerado pelas massas pode acontecer devido a vários factores. Logo à partida, penso que a visão seja o mais importante de todos, por exemplo, eu não tenho problemas em jogar jogos onde a arma de uma personagem seja um guarda-chuva ou uma frigideira, ao passo que por ser incrivelmente irrealista e estúpido, muita gente à partida nem lhes olha. No entanto, um jogo demasiado sombrio e muito sério, também contribui para que ache logo aborrecido à partida.

Eu considero isto um bom exemplo de mau argumento porque ninguém vai jogar um vídeo jogo à procura de realismo. Conheço apenas uma pessoa que faz isso, mas mesmo assim consegue aguentar o ridículo dos jogos da Rockstar.

Acho que o point é uma coisinha muito importante em storytelling: a suspensão da descrença.

“(…)that willing suspension of disbelief for the moment, which constitutes poetic faith(…)”

-Poeta e filosofo estético inglês Samuel Taylor Coleridge sobre o drama

O que a frase quer dizer, em português, é que uma narrativa não têm que ser realista, mas tem que fazer sentido suficiente na cabeça das pessoas para que  elas aceitem essa falta de realidade.
Ou:

You can ask an audience to believe the impossible, but not the improbable.

Diferentes pessoas têm diferentes níveis de suspensão. O meu irmão não suporta jogos de fantasia porque a improbabilidade dele roça a impossibilidade, mas aceita um jogo da Rockstar sem problemas porque ser tão próximo da realidade, mesmo o Red Dead Redemption.

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And it’s one hell of a game.

A minha premite-me jogar o Bloodborne sem problemas nenhum, porque a minha suspensão admite o impossível desde que o improvável não aconteça e para muita gente uma arma que não faz sentido nenhum entra no improvável e faz com que essa suspensão seja quebrada.

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Essa é razão pela qual eu não uso fatos alternativos em jogos como o Tales of Xillia 2. Não faz sentido nenhum usar aqueles fatos naquele setting e não há razão nenhuma para eu o fazer sem ser uma leve massagem do meu clitoris e, honestamente, não preciso de um bando de fatos num JRPG para o fazer quando ando a declarar o meu coração ao Djura deste a semana passada.

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Beasts have feelings too you know?

Temos duas comparações tão iguais, mas ao mesmo tempo tão diferentes aqui, as séries Gran Turismo e Forza Motorsports, dois simuladores de condução.

Numa experiência canseira com o meu pai e o meu irmão apercebi-me o que separa o Gran Turismo e outro jogos de carros mais realistas como o F1 dos arcadas, é que uns são simuladores e simuladores simulam uma situação enquanto as arcadas estão lá para o score. O GT presa o realismo que o leva a ser usado como simulador de treino para pilotos reais, incluindo pilotos de Formula 1, um dos desportos mais exigentes.

Quando existe uma razão para não gostar, peço-vos para serem sempre verdadeiros convosco mesmos, e eu sei que e difícil, mas as pessoas são feitas de diferentes gostos e vivências, e essas vivências estão intimamente relacionados com os nossos gostos.

Considero que acima de tudo o importante é saber justificar o porquê de não gostarmos. Mesmo que vídeo jogos sejam arte, o conceito é tão blurred que chega ao ponto que qualquer coisa possa ser arte desde que tenha o nome certo.

 

Mas agora vocês fazem a pergunta dos 10.000 euros.
“Mas como é que foi a Republica Checa, ó Aya?”
Apesar dos -17ºC que apanhei, a neve e a companhia foram tão agradáveis que o silêncio se tornou agravante e confunde-me.

10/10 voltava a viajar em aviões atrasados da TAP.

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